terça-feira, 10 de setembro de 2013

Os idosos precisam do carinho dos mais jovens para serem felizes. E tu, fazes isso?


Há uns tempos uma idosa do Lar onde trabalho, chorou diante de mim. Dizia-me que a filha lhe ligava diariamente, mas os filhos rapazes... não sabia nada deles há cerca de um mês. Não a visitavam, não lhe faziam sequer um telefonema para saberem se estava tudo bem. Recordo-me de outra senhora, essa solteira (mas com família), que nunca recebia visitas nem telefonemas. Nem no Natal. Nem do dia de aniversário. Se bem que no funeral dela, todos pareciam muito pesarosos.
 
A nossa vida é uma correria, provavelmente até mais stressante do que a vida destas pessoas alguma vez foi. Mas jamais devemos deixar de arranjar um tempinho, para demonstrar o quanto amamos os nossos familiares mais velhos. Se for difícil fazer uma visita, pelo menos telefonar. Isto porque as pessoas, independentemente da idade, precisam de se sentir amadas, precisam de ter relações sociais fortes.
 
Porque é que isto é importante?
- Está provado que as relações sociais positivas são um factor importantíssimo para a felicidade das pessoas;
- Ao praticares gestos de bondade para com os mais velhos, a tua própria felicidade aumentará;
- Os nossos filhos tendem a seguir mais os nossos exemplos do que as nossas palavras. Lembra-te que a forma como tratas os idosos hoje, será uma forte influência para os teus filhos. É bem possível que te tratem a ti um dia, da mesma forma como tu próprio(a) tratas os mais velhos.
 
Agora o reverso da medalha. Há filhos que jamais esquecem de dar pelo menos um telefonema aos pais, têm relações absolutamente fantásticas. E acreditem, os seus pais idosos são bem mais felizes!

Foto: Dan Alive

5 comentários:

  1. Eu ia falar dessa questão dos filhos... além da importância do exemplo nosso hoje, acho também importante como nós tratamos e cuidamos dos nossos filhos. Pode parecer óbvio para muita gente, mas para outras nem tanto:

    Se não arranjamos tempo de verdade para ficarmos com nossos filhos hoje, deixando de lado todo o resto, quando chegar a hora deles cuidarem de nós também não arranjarão tempo. Terão sempre um trabalho importante, um evento importante... e por tempo de verdade quero dizer atenção total a criança.

    Quando eu penso em idosos sozinhos, eu fico mesmo muito triste. Pq não valorizamos mais a sabedoria deles, a experiência. Nossa sociedade é tão doente que só se importa com quem produz valor que possa ser vendido. Crianças e idosos não produzem e são ignorados. Mas produzem tantas coisas lindas e maravilhosas que deixamos de lado...

    Ao mesmo tempo, penso no pq a família desse idoso é assim. Será q não faltou o tal tempo de verdade e o exemplo lá trás? Sempre é hora de correr atrás do prejuízo, né?

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    1. Concordo plenamente com a tua perspectiva. Mesmo na correria do nosso dia-a-dia, é importante aprendermos novas formas de gestão de tempo, que nos permitam estar com os nossos filhos. Assim, também os estamos a ensinar a gerir o seu tempo e, sobretudo, a mostrar formas saudáveis de o usar. Estamos sobretudo a ensinar o melhor que uma relação familiar pode ter.

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  2. Não posso estar mais de acordo, contudo sei e respeito que existem várias realidades.
    Infelizmente tenho conhecimentos de vários casos em que durante o resto do tempo foram eles que não ligaram ou desprezaram algum filho ou os outros entes, fazendo diferença entre eles, por mais estranho que pareça e também com alguma dificuldade em entender.
    Se forem coisas que se possam ser esquecidas acho muito bem mas nem sempre é assim por mais tentativas que se façam, algumas pessoas acabam por desistir...
    Eu também só conhecia a minha realidade, dou-me bem com os meus avós e com os seus irmão, sempre se ajudaram e nunca faltou companhia, é sempre bom retribuir o colinho que já nos deram (para acabar com uma nota positiva :) ) e nada custa dar um pouco do nosso tempo às pessoas que tanto fizeram por nós!

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  3. Tenho que concordar com o que foi dito anteriormente. Eu própria, apesar de me saber incapaz de abandonar um familiar tenho plena consciencia que jamais faria pela mãe o que seria capaz de fazer pelo meu pai ou o que já fiz e faço pela minha avó (que cuidou de mim quando eu era criança e que, agora que sou adulta, já a tive a viver comigo). Neste momento, não tenho condições para tal e ela apesar de ter muitos filhos acabou num lar. Não que seja um mau sitio mas ela não se consegue adaptar.

    Quanto às visitas, o carinho e a atenção também penso que os lares e centros de dia tem uma grande culpa. Por exemplo, eu tenho trabalho e já fui trabalhadora-estudante sendo que o único tempo livre que tinha era de manhã e nunca me deixaram visitá-la nesse horário. O horário de visitas é das 15.30 às 17.30h (de 2ª a domingo!) ora isto é impeditivo para a grande maioria das pessoas pois quem trabalha não tem esses horários!! Deixando unicamente tempo às pessoas os dias que têm de folga para poderem estar com os seus idosos.

    No entanto, a minha avó tem muitos netos e também cuidou de outras 3 como de mim (antes de ter tomado conta de mim) e essas nunca lhe telefonam, nunca a visitam. Tenho inclusivé familiares que vivem a 5min dela e que nunca a foram visitar desde que ela está no lar (quase 2 anos) e eu, o meu pai, outros meus tios que vivemos a mais de 30min de carro de lá somos quem mais a visita.

    Quanto a telefonar - ela já não está capaz de mexer nos telefones. Aliás eu e o meu marido chegamos a oferecer-lhe um que ela usou alguns anos mas agora encostou-o porque já não consegue ver...

    Tudo tem o seu "quê" mas também há muitos que só chegaram a gente, que só tiveram amor, carinho e heranças graças a estes idosos e nunca querem saber deles para nada. Principalmente depois de terem o dinheiro do lado deles (e isto é a história do meu outro lado da familia) mas agora, esses idosos tentam procurar apoio naqueles filhos que sempre menosprezaram e aos quais basicamente recusaram qualquer herança (e não, eu não vivo por heranças) mas eu não gosto da minha avó materna porque ela sempre me tratou mal (afinal a minha mãe não casou um homem rico e eu era filha de um pobre!) e agora, que deu a herança toda dela aos filhos queridos (deixou a minha mãe e outros sem nada) esses "queridos" mandaram-na "à fava" e agora ela quer amor e carinho dos outros quando toda a vida nos maltratou. Ninguém os vai deixar passar mal mas ninguém está disposto a fazer sacrificios ou a preocupar-se excessivamente com ela.

    Por exemplo, a minha avó paterna já a convidei a passar o natal comigo (e sim ela é pobre e não me pode nem dar 1 centimo) mas a minha avó "rica" (que agora não o é mas que pôs primos meus bem o suficiente para não terem necessidade de trabalhar) essa eu não a convidaria, nem antes nem agora. Só que antes de ter dado a herança não lhe faltavam convites e agora? Não tem ninguém. Fez a cama, que se deite nela. Nunca fui ter com ela por interesse e ela sempre me maltratou. Afinal eu era filha de um pobre mas agora quem é a pobre? Ninguém lhe dá amor nem carinho e, honestamente, não sinto pena dela.

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    1. Cada caso é um caso, isso é verdade. Não é por uma pessoa ter sido má toda a vida, que repentinamente ao envelhecer se torna boazinha. E o contrário também se passa.

      Em defesa dos Lares (e aqui falo mais pela minha Instituição), alguns têm um horário bem alargado. No meu podem haver visitas de manhã e à tarde também, em qualquer dia do ano.

      Mas o que me choca são casos como os que relatei. Pessoas que deram amor, mas que infelizmente não é retribuído. O de uma "mãe galinha" a quem só as filhas dão amor. E a de uma senhora solteira que tratou dos irmãos mais novos, que na velhice nunca apareciam para a ver, nem lhe telefonavam. No funeral diziam que a adoravam, mas em vida nunca lho disseram. Uma pena!

      Beijinho e obrigada pelo teu relato.

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