Aproveitando que o meu marido esteve uns dias em trabalho na Alemanha, pedi-lhe para entrevistar um cidadão alemão (adiante identificado como C.) sobre «a felicidade alemã».Apesar de ser um país rico e muito bem organizado, de acordo com o World Database of Happiness a felicidade média alemã é de 7,1 (numa escala de 0 a 10). É um valor elevado, mas significa que não é um dos países mais felizes do mundo (no topo da tabela encontra-se a Costa Rica com 8,5 e a Dinamarca com 8,3). Numa data de países, inclusive mais pobres, as pessoas sentem-se mais felizes do que na Alemanha.
Com esta entrevista, quis perceber porquê.
1 – Numa escala de 0 a 10, em que 0 é infeliz e 10 extremamente feliz, qual considera ser o seu nível de felicidade habitual?
C.: 7. (Se repararem não anda muito longe da média, que é 7,1).
2 – Vários estudos indicam que a Alemanha, apesar de ser um dos países mais ricos do mundo, não está no topo dos países mais felizes. Quais pensa serem os factores que explicam o porquê dos alemães não serem tão felizes quanto deveriam?
C.: Sinceramente o egoísmo de pensar no "eu" acima de tudo e todos e a preocupação em ter mais e mais dinheiro, a qualquer custo (da vida familiar, de ter um trabalho que não se gosta, etc.).
3 – Considera que a felicidade é uma questão cultural/de educação familiar ou tem a ver com o funcionamento da vossa sociedade (democracia, justiça, segurança social, escola, etc.)?
C.: Penso que a felicidade alemã, a forma como se dá primazia à mesma ou não, advém essencialmente da educação familiar, dos valores que são transmitidos aos filhos.
4 – Na Alemanha existe pouca ou muita desigualdade social?
C.: Felizmente há muito pouca desigualdade social. Isso é positivo, pois contribui para as pessoas serem mais felizes.
5 – A corrupção está controlada na Alemanha?
C.: A baixo nível sim, está muito controlada. Por exemplo para emitir um documento ou uma licença numa Câmara Municipal, são necessárias várias assinaturas para garantir que ninguém é corrompido. No entanto, ao mais alto nível existe corrupção e essa não é fácil de controlar.
6 – O governo costuma atender à opinião dos cidadãos, na tomada de decisões políticas?
C.: No papel sim, vem referido que o governo deve respeitar a vontade popular. Contudo, na prática fazem o que bem entendem, sem ter em conta a opinião do cidadão comum. (Não se realizam tantos referendos como, por exemplo na Suíça).
7 – Quando uma criança nasce, a mãe ou o pai costumam ficar com ela em casa, durante quanto tempo?
C.: Por norma é a mãe que costuma ficar, cerca de 2 anos. Mas, uma nova lei, permite prolongar esse prazo.
8 – Como é vivida a velhice na Alemanha? Costumam aproveitar a idade da reforma para actividades que lhes dão prazer (desenvolver um hobby, viajar, etc.)? Costumam frequentar Lares de Idosos? Têm o apoio que necessitam em termos de saúde?
C.: Infelizmente são poucos os idosos que aproveitam a velhice para actividades que lhes dão prazer (só os mais abastados). A grande maioria acaba por ir para um Lar de Idosos. Sinceramente, os mais novos não querem "tropeçar" nos idosos lá em casa, estes por vezes são vistos como um "estorvo". A solução que melhor encontram para os apoiar é mesmo um Lar. No que respeita à saúde, esta está muito bem organizada e, ou é muito barata ou é gratuita. Qualquer pessoa, idosa ou não, tem o apoio que necessita em termos de saúde.
9 – Por norma as pessoas são felizes no trabalho? Escolhem uma profissão de que realmente gostam? Quantos dias por ano têm de férias?
C.: Eu diria que cerca de 90% da população não é feliz no trabalho, pois não fazem o que realmente gostam (isto é o oposto do que se passa na Dinamarca, onde as pessoas são incentivadas a escolher um trabalho que vá ao encontro do seu propósito de vida). Quanto aos dias de férias, quando se começa a trabalhar, por norma, tem-se direito a 30 dias úteis de férias. Passado alguns anos, os trabalhadores têm direito a um acréscimo de 2 dias por ano de trabalho.
10 – Costumam dedicar tempo durante a semana, a actividades que vos dão prazer (artes, convívio com os amigos, viajar, etc.)?
C.: Isso sim. Adoramos passear no campo, andar de bicicleta, ter um hobby, etc.
11 – O que considera ser o melhor e o pior no funcionamento da sociedade alemã?
C.: Acho que a sociedade alemã funciona muito bem, desde o sistema de Segurança Social, à saúde, à educação (as pessoas têm muitos apoios e, na maioria, são gratuitos). Pior só o egoísmo das pessoas.
12 – Conhece Portugal? Se a resposta for positiva, qual a sua opinião sobre o país, sobre o que ele tem de melhor e de pior?
C.: Sinceramente, não conheço o suficiente para dar opinião. (Só esteve cá de férias uma vez, em Lagos).
9 – Por norma as pessoas são felizes no trabalho? Escolhem uma profissão de que realmente gostam? Quantos dias por ano têm de férias?
C.: Eu diria que cerca de 90% da população não é feliz no trabalho, pois não fazem o que realmente gostam (isto é o oposto do que se passa na Dinamarca, onde as pessoas são incentivadas a escolher um trabalho que vá ao encontro do seu propósito de vida). Quanto aos dias de férias, quando se começa a trabalhar, por norma, tem-se direito a 30 dias úteis de férias. Passado alguns anos, os trabalhadores têm direito a um acréscimo de 2 dias por ano de trabalho.
10 – Costumam dedicar tempo durante a semana, a actividades que vos dão prazer (artes, convívio com os amigos, viajar, etc.)?
C.: Isso sim. Adoramos passear no campo, andar de bicicleta, ter um hobby, etc.
11 – O que considera ser o melhor e o pior no funcionamento da sociedade alemã?
C.: Acho que a sociedade alemã funciona muito bem, desde o sistema de Segurança Social, à saúde, à educação (as pessoas têm muitos apoios e, na maioria, são gratuitos). Pior só o egoísmo das pessoas.
12 – Conhece Portugal? Se a resposta for positiva, qual a sua opinião sobre o país, sobre o que ele tem de melhor e de pior?
C.: Sinceramente, não conheço o suficiente para dar opinião. (Só esteve cá de férias uma vez, em Lagos).
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Esta é a opinião de um só cidadão, mas acaba por nos dar uma visão interessante da sociedade alemã. As conclusões que daqui podemos retirar, é que o dinheiro, por si só, não faz as pessoas mais felizes. Existem outros factores que intervêm na felicidade das pessoas.
Se por um lado, as pessoas se sentem satisfeitas com o funcionamento da sua sociedade (saúde, educação, apoios sociais, etc.), sentem que os impostos são bem direccionados e que existe pouca desigualdade social, existem aspectos que não funcionam tão bem. Destes contam-se a infelicidade no trabalho e a colocação do dinheiro acima de outros valores (estar com a família, ter uma profissão de que se goste mas mais mal remunerada, etc.).
De qualquer modo, esta entrevista já nos dá uma boa perspectiva do que poderá fazer ou não uma sociedade feliz. Agradeço, ao senhor C., pela sua colaboração!
Quanto a Portugal, tem de mudar em vários aspectos, para ter uma população mais feliz. Actualmente, a felicidade média das pessoas é de 5,7. Mas creio que a mudança, mesmo que seja aos pouquinhos, é possível. Temos mais força do que podemos imaginar! Um governo que se preocupasse realmente com a felicidade e bem-estar das pessoas também ajudava...
Foto: Mafalda S. - Rua típica alemã.
