terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Como lidar com as críticas

A crítica faz parte do ser-humano (para mal dos nossos pecados). Temos o hábito de julgar e também somos julgados.

Contudo, algumas pessoas estão emocionalmente mais preparadas para lidar com as críticas e até com os «críticos profissionais» (aqueles chatos que não fazem mais nada senão julgar os outros).

Se não for este o seu caso, e sente-se frequentemente triste e magoado com as críticas que recebe, está na altura de aumentar a sua tolerância às críticas. Eis 25 dicas para lidar com as críticas, que certamente o ajudarão:

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1) Se você tiver «importância», é normal receber críticas - Como dizia Torres Pastorino “(…) só a árvore que produz frutos é que se vê apedrejada, para deixá-los cair. À árvore estéril ninguém dá importância”. Assim, considere a crítica como um sinal de que você é relevante para alguém.

Para além disso, é impossível você agradar a toda gente, pelo que as críticas são inevitáveis.

2) Não deixe de viver, por receio das críticas - Algumas pessoas sentem-se tão mal com as críticas que deixam de realizar determinadas actividades com receios das críticas. Não obstante, na generalidade dos casos é preferível encontrar soluções para lidar com a situação. Esconder-se só fará aumentar os seus medos.

3) Cultive a sua auto-estima – Quando existem áreas da sua vida em que se sente inseguro (provavelmente por críticas que recebeu desde a infância), as críticas dos outros serão um verdadeiro pesadelo. Assim, nada melhor do que cultivar a sua auto-estima, para diminuir a sua insegurança e conseguir lidar com os problemas de frente. Aumente a sua auto-estima, seguindo as dicas deste post.

4) Esteja consciente, de que as pessoas são resistentes à mudança – No caso de liderar uma equipa de trabalho, e se as críticas tiverem surgido em virtude de uma mudança que tenha feito, tenha em mente que as pessoas são resistentes às mudanças.

É normal ser criticado. Mas com o tempo, a mudança acaba por entrar na rotina habitual e as pessoas deixarão de falar no assunto.

5) Esteja aberto à aprendizagem – Você não tem de saber tudo, por isso é normal que desconheça certas áreas ou que cometa erros. O importante é estar aberto à aprendizagem que o capacitará a agir melhor.

6) Controle a sua linguagem corporal – Se alguém se dirige para o criticar, controle a sua linguagem corporal para demonstrar mais autoconfiança. Endireite os ombros, oriente o corpo na direcção de quem está a falar e sorria. Não cerre os dentes ou cruze os braços enquanto ouve.

7) Não fique na defensiva – Perante uma opinião negativa, talvez a sua reacção imediata seja criticar de volta ou culpar alguém. Mas não o faça. Aliás, se os ânimos se exaltarem, para além de não resolver a situação, só agravará o relacionamento entra o crítico e o criticado.

Tente antes concentrar-se na crítica em si, perceber se esta tem fundamento e, se possível, resolvê-la.

8) Ganhe tempo, não responda de imediato – Se reagir de imediato, a sua resposta será muito mais emocional do que racional e acaba por reduzir a possibilidade de resolver a situação.

Atrase a sua reacção o tempo que puder, consoante a situação. Conte mentalmente até dez e respire fundo, deixe passar umas duas horas ou aguarde até ao dia seguinte para dar uma resposta àquele e-mail…

9) Seja empático, coloque-se no lugar do outro – Coloque-se no lugar do outro e tente perceber o seu ponto de vista. É possível que um dos dois não tenha percebido a situação por completo e que uma das partes necessite de conhecer a outra perspectiva.

10) Concentre-se no problema – Em muitas situações, juntamente com uma crítica válida, vêm uma série de ofensas que não ajudam à resolução do problema. Identifique e responda somente à crítica.

Para não haver equívocos, coloque as seguintes questões: “Pelo que percebi o problema é este (descrição do problema) e você gostaria que eu fizesse (descrição da solução proposta). É isso que me está a tentar dizer?”.

11) Faça as perguntas necessárias para esclarecer o problema – É muito fácil criticar, mas nem sempre o que parece, o é realmente. Por vezes os críticos desconhecem todos os aspectos do problema, pelo que importa levantar todas as questões: Como aconteceu? Quem estava presente? Estiveram presentes até ao fim? Que melhorias sugere?

A ideia é obter detalhes concretos da situação (se necessário falar com outros intervenientes), para depois analisá-los.

12) Não aceite cegamente todas as críticas – Nem sempre as críticas são feitas com boas intensões, com o intuito de melhorar a situação. Às vezes as pessoas estão unicamente a querer ser superiores no momento em que criticam.

Por outro lado, nem todas as sugestões apresentadas têm cabimento. A decisão final sobre o que há a mudar, caber-lhe-á a si.

13) Avalie o objectivo da crítica – Para avaliar o objectivo da crítica, tente perceber o seguinte:
a) Trata-se realmente de uma crítica ou de uma mera opinião?
b) Se é realmente uma crítica (e após ter colocado as perguntas do ponto 11) esta tem razões para existir?
c) Trata-se de uma crítica construtiva, cujo objectivo é melhorar a situação?
Após ter avaliado o objectivo da crítica, saberá se ela merece a sua atenção ou se deve descartá-la. Se a crítica for construtiva, pense com cuidado e determine as sugestões que você pode adoptar para a resolver.

14) Analise a fonte por detrás da crítica – Este também é um aspecto importante. Imagine que alguém criticou a forma como se veste. Agora pense bem: a pessoa é algum especialista em moda? Ela percebe alguma coisa do assunto?

Na verdade, nem sempre as pessoas têm conhecimentos acerca dos assuntos de que falam. Muitos criticam os outros somente para os fazerem sentir mal. Despreze por isso as dicas de quem não entende nada do assunto.

15) Quantas pessoas criticam o comportamento? – Quando o criticam poder-lhe-ão dizer “Toda a gente diz isso”. É importante perceber quem é essa «toda a gente». Na maioria dos casos, se investigar melhor, acaba por descobrir que são uma ou duas pessoas. Muitas vezes as críticas acabam por ser isoladas e nem sequer são bem fundamentadas.

Aparte disso, além dessa «toda a gente», poderá haver a restante gente que pensa justamente o contrário.

E mesmo que muitas pessoas o critiquem, não é por isso que a crítica será uma verdade absoluta e irrefutável. É a crítica em si que precisa de ser avaliada, pelo que deverá analisar se esta é justa e se vai melhorar a situação.

16) Não seja o seu pior crítico – Não aceite tudo o que o seu crítico interno lhe diz. Por vezes, para além de considerar verdadeiras todas as críticas externas ainda acrescenta as suas próprias críticas.

Questione-se! Imagine que não sai com outras pessoas, porque se acha terrivelmente desinteressante. Mas quem é você para dizer isso? Algum perito em psicologia humana? Porque pensa que não tem nada de interessante para falar? Porque se acha feio? É algum especialista em beleza?

Se se sente mais fragilizado em determinada área, ao invés de estar constantemente a criticar-se, faça o seguinte:
a) enumere o que tem de bom e os pequenos (ou grandes) sucessos que teve na vida;
b) procure informação credível sobre a área a aperfeiçoar;
c) adopte as sugestões possíveis que o permitam melhorar (ficar de braços cruzados não vale);
d) registe os progressos que for alcançando.

17) Peça uma segunda opinião de alguém de confiança – Pergunte a pessoas da sua confiança opinião sobre o assunto em questão. Mas peça-lhes uma opinião sincera. O objectivo não é dizerem-lhe tudo o que deseja ouvir, mas sim darem-lhe a conhecer a seu próprio juízo sobre o assunto.

Isto pode ajudá-lo a ver outras perspectivas, das quais nem se tinha apercebido. Uma pessoa amiga poderá ainda dar-lhe o apoio que tanto necessita, para resolver o assunto.

18) Se a crítica for injusta, explique o seu ponto de vista calmamente - Sem ficar irado, mas com muita calma, responda com educação à outra pessoa. Explique-lhe as razões que fundamentam as suas acções/opiniões.

Se pelo contrário, responder de forma agressiva, será muito mais difícil para a outra pessoa aceitar a sua explicação e os seus motivos.

19) Se a crítica for válida, resolva-a – Existem situações em que a crítica é válida e tem razões para existir. Ao invés de agir com uma atitude defensiva, diga à pessoa que compreende e que vai fazer de tudo para resolver a situação. Depois disso, resolva o problema e pronto.

Após ter resolvido o assunto, a pessoa ficará bem mais contente consigo. Esta terá noção de que mesmo que hajam problemas, você se importa e tem interesse em resolvê-los.

20) Se você estiver errado, dê feedback ao crítico – Ao invés de inventar desculpas ou até de passar responsabilidades para outros, se verificar que está errado, assuma a culpa e garanta que resolve a situação.

Demonstre o seu agradecimento pelo feedback da outra pessoa e, posteriormente, dê-lhe a conhecer o facto de ter agido para corrigir o problema. Isto é extremamente eficaz para tranquilizar os críticos e apaziguar os ânimos.

21) Aprenda com as críticas – Existem críticas sinceras e construtivas que são feitas para o seu bem. Retire uma lição dessas críticas valiosas, corrigindo os seus erros e aperfeiçoe as suas acções.

Sinta-se grato por estas terem sido feitas, pois com elas pode efectivamente aprender e melhorar.

22) Reconheça os «críticos aproveitadores» - Não ceda perante «críticos» aproveitadores. Estes aproveitam-se da sua sensibilidade para conseguirem o que querem.

Um bom exemplo disso é quando o seu filho adolescente o acusa de ser um péssimo pai, por não lhe comprar aquela roupa de marca que todos os colegas têm. Esta crítica tem por objectivo fazê-lo sentir-se mal e com base nisso levá-lo a fazer o que o crítico (neste caso o seu filho) quer. Arranje maneira de dar a volta à questão, mas não ceda perante acusações do género.

23) Evite os «críticos profissionais» - Infelizmente eles existem… são aquelas pessoas que parece que nasceram para criticar tudo e todos, a todo o momento. Estão sempre insatisfeitas e sentem-se mais poderosas justamente quando tecem críticas severas dos outros.

Evite estas pessoas, afaste-se delas. No caso de não ser possível tente redireccioná-los para outras conversas (perguntando-lhes dos seus próprios objectivos de vida, da sua própria família, etc.).

Se as críticas em relação a si são infundadas, não dê azo a grandes conversas, ignore-o e vá fazer outra coisa.

Se, por outro lado, as críticas são dirigidas a outra pessoa, sugira delicadamente ao crítico para falar com a pessoa correcta (caso contrário irá ouvir um discurso interminável de má língua).

24) Tenha em mente, que grande parte das vezes os «críticos profissionais» agem normalmente por inveja – Pois é, muitas vezes os «críticos profissionais» criticam justamente quem invejam. Na maioria dos casos, as suas críticas viciosas reflectem problemas e inseguranças delas mesmas. Ao criticar, sentem prazer pelo poder que essa atitude lhes dá.

Volto a repetir, afaste-se destas pessoas (se hoje criticam outros à sua frente, amanhã poderão criticá-lo a si à frente de outros).

25) Não seja você próprio um «crítico profissional» - Isto implica não ceder a conversas de má-língua e analisar se as suas próprias críticas têm fundamento (antes de as pôr cá para fora).

Para além disso, não seja um «crítico profissional» perante os seus filhos, tendo em atenção o seguinte:
a) critique o comportamento não a criança;
b) faça críticas construtivas que o ajudem a melhorar, mas equilibre com elogios perante o que o seu filho já faz bem;
c) não compare o seu filho com outras crianças, para além de ser um pontapé na sua auto-estima, poderá torná-lo muito sensível a qualquer crítica (inclusive às construtivas).

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E você, tem outras sugestões?

Foto: Google images - Autor não identificado.

8 comentários:

  1. Sempre lidei mal com as criticas, mais por não estar segura de mim. Quando me comecei aceitar, as coisas mudaram e eu percebi que podemos ouvir tudo e tirar as nossas conclusões ;)

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  2. Sobrescrevo estes :
    a) critique o comportamento não a criança;
    b) faça críticas construtivas que o ajudem a melhorar, mas equilibre com elogios perante o que o seu filho já faz bem;
    c) não compare o seu filho com outras crianças, para além de ser um pontapé na sua auto-estima, poderá torná-lo muito sensível a qualquer crítica (inclusive às construtivas).
    e de que maneira. Pena que muitos se esqueçam não só na idade "criança" mas também na idade adulta. Depois não percebem como os filhos andam de cabeça baixa, sem forças, sem estímulos, sem conseguirem mais e melhor ou procurarem mais e melhor

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  3. Excelentes dicas, tanto para a vida pessoal, como profissional!

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  4. Belo post Mafalda!

    Muito completo e com dicas muito interessantes.
    Algumas frases eu li 2 x e fez-me pensar!

    Existe pessoas de facto que lhes enche o ego criticarem os outros mas aqui como em tudo depois funciona a lei do retorno.

    Obrigada por partilhares estes textos de auto-ajuda!

    Um dia muito feliz
    Beijos

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  5. Minha querida!
    Amei ler seu post!
    Obrigadapor partilhar essas dicas
    preciosas.
    Abraços! Tudo de bom pra ti.

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  6. Adorei estas dicas Mafalda eu pessoalmente tenho que trabalhar mais a calma sou um pouco impulsiva...Beijinhos;)

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  7. Muito bom o post. Faz parte da natureza humana o julgamento, a crítica. Cabe a nós, saber discernir o que realmente ela nos mostra de verdade, o que podemos aprender com elas.

    Adorei as dicas!!!
    Um Beijo

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  8. Post impresso e colado em meu quadro de vida feliz.
    Todo mundo precisa aprender , relembrar e saber conviver com as críticas( que eu particularmente chamo de dicas) acho que chamando assim me sinto menos ofendida .

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