quarta-feira, 3 de abril de 2013

A minha Páscoa


A manhã começou alegre, com a Letícia a pular da cama e a dizer "Hoje é Páscoa! Hoje é Páscoa!".
 
Como sabem, aproveito estas alturas para criar rituais e tradições familiares (já expliquei as vantagens disso neste post). Aproveitei algumas tradições da minha região (e não só) para tornar esta data especial.
 
Antes do dia propriamente dito, contei à Letícia a história da Páscoa, comprámos amêndoas para oferecer, ela teve um raminho benzido no Domingo de Ramos.
 
No dia efectivo da Páscoa resolvemos ir à Igreja. A Letícia nunca tinha assistido a uma celebração destas. Mas se de início estava super-entusiasmada, no fim já estava um pouco farta. E até percebo porquê.
 
Nós estávamos todos sorridentes, afinal era o dia da ressurreição de Jesus. Mas o que encontrámos? Música que sinceramente, apesar de bonita, não era nada alegre. E uma homília com palavras sábias, mas nada próximas do povo. Um ar sério, palavras caras... (eu sei que a intenção era boa, mas não resultou). A meu ver (e podem dizer-me: "quem és tu para dizeres isso?"), as missas deveriam ser mais alegres, as homílias mais extensas e as palavras repetitivas deveriam ser reduzidas. Deveriam ser utilizadas palavras simples que chegassem a todos, inclusive às crianças. O povo deveria ser motivado, inspirado a serem melhores pessoas, a serem mais bondosas na vida prática, a cultivarem a sua espiritualidade. Enfim, é só a minha opinião.
 
Depois da missa seguiu-se um almoço e uma tarde em família.
 
A Letícia participou na já tradicional «caça ao tesouro». Nesta actividade, ela tinha de seguir uma série de pistas até encontrar o ovo de chocolate com surpresas (esta é a parte favorita do seu dia).
 
Já à tardinha, passámos por um café à beira-rio e o cenário era o da foto acima. Estávamos em plena cheia e nem nos tínhamos apercebido disso. Mas sabem que mais? Foi maravilhoso! As pessoas daqui já estão habituadas a esta situação, pelo que não causa grandes transtornos. Era impressionante a quantidade de sorrisos nos seus rostos. Tinha-se juntado imensa gente para observar a paisagem, que em tempos de cheia fica deslumbrante. Eram impressionantes as gargalhadas, os flashes de máquinas fotográficas, a confraternização, os olhares luminosos, como se naquele momento tivessem esquecido a crise e quaisquer más notícias. Se noutros pontos do país pode ter sido uma chatice, aqui as pessoas estavam deslumbradas.
 
Claro que no fim da noite, tivemos de andar a retirar uns materiais do trabalho do meu marido (para não serem apanhados pela água). Mas nem isso nos custou.
 
Foi assim a nossa Páscoa. Para ser franca preferi a do ano passado, em que rumámos ao Algarve. Mas esta não deixou de ser uma boa Páscoa, com uma história para recordar.
 
Foto: Mafalda S. - "Rio em tempo de cheia" (via telemóvel)

3 comentários:

  1. Feliz Páscoa, Feliz Renascimento.
    Verdade, justiça e lucidez.
    A semana santa deveria ter proporcionado a todos a chance do auto-conhecimento, da reflexão. Quem sou? De onde vim? Para onde vou?
    Reduza estas indagações para o seu mundo, para o micro, para o seu universo. Espero que tenhas respondido as tuas perguntas para poder renascer mais forte de tuas fraquezas. Aline – Cidade das Pirâmides. www.deolhonomundo.com

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  2. É por essa razão que há muita gente que não vai à missa. Pode ser que no futuro seja melhor.
    Achei a Páscoa um bocado cinzenta, gostei mais da do ano passado. Mas ainda bem que te divertiste na tua. Beijinhos

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  3. Eu só vou a missas nos casamentos :)
    Ouvi, uma vez, umas palavras de um padre que me tocaram cá dentro e pensei se as missas fossem todas assim, acho que vinha cá mais vezes.
    Concordo que estão muito distantes das pessoas e têm um discurso que não é acessivel a muitas pessoas.

    Beijinhos
    Isa

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