
Ainda o livro não estava à venda e já andava em pulgas para o ler. E não me desiludiu! Muito interessante a forma de educar descrita no "
Pais à Maneira Dinamarquesa" de Jessica Alexander (uma psicóloga americana casada com um dinamarquês e fascinada com aquela cultura) e Iben Sandahl (uma psicoterapeuta dinamarquesa de gema).
No livro, as autoras justificam a felicidade dinamarquesa com a forma como estes educam os filhos (que depois se tornam adultos felizes, educam os filhos da mesma forma - e assim sucessivamente, ao longo de várias gerações).
Claro que para quem é dinamarquês, parece-me bem mais fácil educar assim. Isto porque lhes sai naturalmente, está entranhado na própria cultura. Para nós, com uma concepção educativa diferente em muitos aspectos, pode requerer algum esforço. Mas com o tempo, acredito que podemos transformar o esforço em bons hábitos!
Achei também interessante, o facto das estratégias descritas no livro coincidirem tanto com o que li, de parentalidade positiva. Não é por acaso que aquele povo é tão feliz...
Bom, mas vamos ao conteúdo do livro.
As autoras resumiram a maneira de educar dinamarquesa, num método, a que deram o nome de PARENT:
P de play ou brincar - Os dinamarqueses ao invés de inscreverem os seus filhos em
n actividades extra curriculares, apostam na brincadeira livre (em que as crianças podem brincar como lhes apetecer). E o mais interessante, é que após vários estudos, se descobriu que este tipo de brincadeira ensina as crianças a serem menos ansiosas, mais resilientes e a lidarem melhor com o stress.
A de autenticidade - Isto significa aceitar as emoções, sejam elas boas ou más. Não há cá camuflagens. É por isso que filmes e até contos de fadas nem sempre têm um final feliz, pois assemelham-se com a vida real. Acreditam que isto ajuda a sentirem-se gratos pelo que têm. Para além disso não enchem os filhos com elogios superficiais. Elogiam menos, de forma autêntica e incidindo no esforço feito pela criança.
R de reenquadramento - Perante uma situação negativa tentam encontrar um lado positivo. Isto não significa ignorar o negativo, mas antes serem optimistas realistas. Têm também em atenção a sua linguagem (um pouco ao contrário de nós, portugueses, que em vez de dizermos um aberto «estou bem!», tantas vezes dizemos «mais ou menos», «uns dias melhores, outros piores», «vou menos mal»...).
E de empatia - Os dinamarqueses acreditam que serão mais felizes se cooperarem com os outros e os ajudarem a ser mais felizes. Para isso é fundamental perceberem o outro lado. Ao invés de um clima de competição e crítica (do género: "
Nem conseguiu amamentar o filho, eu cá amamentei até..."
ou "
Imagina que ainda amamenta o filho!"), optam por mostrar vulnerabilidade sem medo de serem julgados e dar apoio a quem precisa (é comum crianças mais velhas apoiarem as mais novas, por ex.). Fiquei fascinada com o facto de existirem programas virados para o Ensino da Inteligência Emocional e da prevenção de
Bullying.
N de nada de ultimatos - Os pais dinamarqueses não costumam bater, gritar ou dizer ultimatos como "
Acho bem que faças isto, senão..." ou "
É assim, porque eu digo...". São firmes com as regras, mas encorajadores da disciplina (negociando por exemplo as regras, previamente, e estando abertos a questões). Não se limitam a castigar, mas a orientá-los para um comportamento mais adequado.
T de tempo juntos e Hygge - Esta palavra só existe no dinamarquês e significa algo como "aconchego". E a verdade é que este povo faz do
Hygge um verdadeiro modo de vida. Ao invés de andarem numa permanente e stressante correria, esforçam-se por criar momentos íntimos e acolhedores com a família e os amigos. As contrariedades, críticas e queixas ficam do lado de fora. O encontro é antes para partilharem uma boa conversa, refeições agradáveis (onde todos ajudam), acenderem umas velas, fazerem jogos e desfrutarem da companhia uns dos outros. São momentos de felicidade tanto para adultos, como para crianças.
No fim de cada capítulo, é explicado como podemos implementar na prática, cada um destes pontos.
Para concluir, penso que os pais dinamarqueses obviamente não são perfeitos. Mas, no geral, lá que usam boas estratégias, isso usam.
Quanto ao livro, muito interessante mesmo! E como dizem as autoras:
"Todos precisamos de ajuda.
Se, em conjunto, construirmos uma comunidade com o objectivo
de praticar estes requisitos,
podemos cultivar algumas das pessoas mais felizes do mundo
no nosso próprio espaço."
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"A Felicidade é o Caminho" também está aqui: