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terça-feira, 16 de julho de 2019

Investigando as minhas raízes (genealogia e afins)

Vários registos paroquiais estão disponíveis online
Ultimamente os meus serões têm sido preenchidos por pesquisa. Mas diferente da habitual (costuma ser sobre os temas do blog). Ando a investigar as minhas raízes familiares.

Tudo começou com um livro (tinha de ser... como tantas coisas na minha vida [é o da foto abaixo]). Encontrei-o por acaso, num café da cidade. Fala sobre a história da minha terra. 

Já tinha lido livros do género, ainda assim, descobri várias novidades: a enorme actividade do porto fluvial (hoje inexistente), os reis que passavam cá parte do tempo, como surgiram as escolas, onde foi a judiaria, etc., etc... 

Um livro com a história da minha cidade
Numa dessas leituras, fui à Net para perceber melhor uma informação do livro. E mais uma vez por acaso, dei por mim num site que, permite aceder aos registos paroquiais portugueses. Basta seleccionar o distrito, o concelho e por fim a freguesia (no meu caso sou encaminhada para o site do arquivo distrital de Santarém). 

Só estão disponíveis os registos até 1911 (os mais recentes, talvez por parte das pessoas ainda estarem vivas, só podem ser consultados nos arquivos físicos). Aquilo a que podemos aceder são os registos de baptismo, de casamento e de óbitos.

Em tempos, escrevi que cá em casa começámos a fazer um livro da família. Investigamos e depois registamos nele as histórias giras, a genealogia, ilustramos com fotografias... Nesta caminhada já descobrimos uma série de coisas interessantes.
O nosso «livro da família»

Mas a possibilidade de pesquisar online, facilita as coisas. Permite-me criar uma árvore genealógica bem mais completa. Comecei há pouco e há casos em que já cheguei aos meus sextos avós. 

As coisas que já descobri:

- Que em grande parte da família os homens eram trabalhadores (na agricultura) ou almocreves (sei que os géneros que chegavam ao porto de Abrantes, para enviar para Lisboa, eram trazidos do Alentejo ou Beiras, com recurso a cavalos... às tantas os almocreves da família, faziam justamente essa tarefa). As mulheres eram sem excepção domésticas. Mas fiquei triste por saber que um dos meus quartos avós, que chegou a uma idade mais avançada era mendigante, ou seja, pedia esmola para sobreviver (e vi uma série de casos semelhantes, sempre de velhinhos). O facto de antigamente não haverem pensões, deve de explicar muita coisa...

- A maioria dos meus avós é oriundo da mesma freguesia, mas tive surpresas. Como é que eu poderia imaginar que um dos meus antepassados tivesse vindo de Valença do Minho? (Fica bem no Norte de Portugal e faz fronteira com Espanha). Nunca visitei e fiquei com imensa vontade. O que conheço foi de um dos livros e documentário do José Hermano Saraiva.

- Descobri apelidos que se perderam no tempo e a predominância de outros, como: Lucas, Ruiva, Sousa... (só mantenho este último e, foi alterado - antigamente escrevia-se com z). 

- Fiquei encantada com os nomes de algumas mulheres: Anna Ruiva (lembra-me os desenhos animados da "Ana dos cabelos ruivos"), Maria Josepha, Magdalena Ruiva, Anna Alexandrina...

- Dei mais valor à vida que temos hoje: principalmente a melhores cuidados de saúde e mais higiene. Fiquei chocada com a quantidade de mortes de pessoas jovens, principalmente crianças. A sério, poderiam ser várias num mês ou mesmo num único dia (e isto passava-se numa aldeia, onde a população era menor do que num grande centro). Cheguei a reparar que em 10 falecimentos, 7 foram de crianças. As pessoas baptizavam as filhos pouco depois de terem nascido, provavelmente para prevenir, não fosse algo acontecer. Por isso, acho absolutamente reprovável que hoje em dia, haja quem ponha em causa o uso de vacinas. Se soubessem como era viver naquele tempo e o que alcançámos graças à vacinação, não poriam a saúde dos seus filhos e das outras crianças em causa. E quem fala de vacinação, fala de antibióticos, do recurso a aerossóis nas urgências, das crianças nascerem em segurança e até pela facilidade de uma coisa aparentemente simples, que é poder abrir uma torneira dentro de casa. Que sorte temos hoje em dia!

- Numa terra onde praticamente ninguém sabia ler e escrever (no recenceamento de 1878, em Portugal, 79,4% da população era analfabeta), fiquei super-comovida por ver a assinatura do meu trisavô (um que contava histórias fantásticas, segundo a minha avó). Foi uma sensação avassaladora, poder olhar para a sua letra.

Ainda tenho muito por descobrir, principalmente do ramo dos Sousa. Mas é uma tarefa que leva tempo. Contudo sinto-me mais rica! Quer por conhecer mais familiares, quer por começar a perceber a sua história - que justifica um pouco aquilo que sou.

Agora uma nota. Nem sempre é fácil. Por sorte, os registos da minha freguesia estavam bem cuidados, com letra mais ou menos legível e com informação bastante completa. Mas necessitei de consultar os registos de uma freguesia vizinha e... bem, digamos que quase tive vontade de chamar nomes ao padre. Letra quase ilegível, dados super-incompletos (eu pensava que tinha de haver um padrão, em que todos escreviam mais ou menos a mesma coisa... mas parece que não) e livros em péssimo estado... Mas ainda assim, lá consegui descobri parte da informação (portanto, há esperança!...).

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E tu? Já pensaste descobrir de onde vens? Quem és realmente?

Já experimentaste conhecer a história do lugar onde vives? Quem sabe as aventuras que podem ter acontecido na tua própria rua...

Fotos: Mafalda S.
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sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Best of 2019 – Os melhores posts!!


2019 aproxima-se do fim. Não escrevi tanto como gostaria, mas francamente não me vou culpar por isso. Escrevi o possível, mas com um enorme prazer. Prazer de partilhar o que aprendi, o que me inspira e me motiva a evoluir. 

Dos posts que escrevi, eis os meus favoritos:

Os melhores posts de 2019:
1 - Posts de organização: da despensa e dos brinquedos que ficam na sala
2 - Exercício: 10 coisas pelas quais sentes gratidão
3 - 70 Coisas que podes fazer em 15 minutos ou menos
4 - 10 Formas de construíres uma relação positiva com os teus filhos
5 -  Como LER pode fazer-te mais feliz
6 - Investigando as minhas raízes (genealogia e afins) [post que te dá pistas para fazeres a tua própria investigação]
7 - 25 Actividades que reduzem a minha ansiedade
8 - Hygge no Outono - 20 sugestões
9 - O meu Bullet Journal
10 -  Alcançar objetivos, usando TMI

Posts sobre livros
a) Livros sobre os quais dei opinião individualmente:
1 - "Becoming" de Michelle Obama
2 - "O Método Bullet Journal" de Ryder Carroll

b) Book haul:
Os livros do primeiro semestre de 2019

c) Outros posts sobre livros:
Livros que melhoraram a minha vida #2
A minha prenda de aniversário... tinham de ser livros!

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Aproveito para te desejar um excelente 2020! Que os momentos felizes prevaleçam!... 😍
«Best of» com os melhores posts de outros anos: 
2010, 2011, 2012, 2013, 2014&2015, 2016, 2017 e 2018.
Lista com a totalidade dos livros, sobre os quais fiz um resumo e/ou dei opinião: 

Foto: edar
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sexta-feira, 16 de agosto de 2019

As «cenas» que descobri... ou mais sobre genealogia


Há pouco tempo, escrevi aqui que ando a investigar as minhas raízes familiares. A ideia é preencher com histórias giras o nosso livro da família. Quero deixar registado o que me contaram, para que não se perca no tempo. Quero igualmente completar a nossa árvore genealógica.

Já contei aqui o que descobri, e, apesar de ter feito uma pausa na investigação, retomei assim que regressei de férias. Soube entretanto que...

...  definitivamente não tenho só raízes ribatejanas. Pois é... descobri que tenho também antepassados minhotos (Valença no Minho) e alentejanos (Ponte de Sôr e Montargil);

... descobri mais antepassados com nomes giros. Ok, Inocêncio... até vai. Sebastiana, já é um pouco estranho. Mas nada me poderia preparar para... Escolástica?! A sério? A única escolástica que conhecia era a relacionada com a filosofia, ou seja, trata-se de um sistema filosófico que era ensinado nas escolas monásquicas na idade média. O objectivo era harmonizar a fé com a razão (coisa que até me agrada);

... sempre ouvi dizer que a minha avó tinha ficado órfã de mãe, bem cedo. Com pena minha, comprovei isso. Tinha 7 anos quando a mãe morreu. Diziam-me que ela era filha única. Mas afinal, teve uma irmãzinha, exactamente com o mesmo nome, que nasceu antes dela. Mas infelizmente, morreu pouco depois de fazer 3 anos. Após o falecimento, passaram 5 anos até a minha avó nascer. Na família, ninguém sabia da existência da outra menina;

... e não é que com a minha bisavó aconteceu a mesma coisa?! Teve uma irmãzinha com o mesmo nome, que havia falecido só com 2 anos. Que triste!... isto só significa que a Medicina, felizmente, evoluiu bastante;

... descobri novos apelidos, que nem me passavam pela cabeça:  Dias, Rapozo, Carneiro, Trindade, Lourenço, Lopes, Fouta, Marques, Bernardina;

... comprovei que, apesar de a minha madrasta ter origem numa das terras mais afastadas do concelho, tem um apelido comum ao meu (já se suspeitava, mas não havia confirmação). Recuando no tempo, descobri que um dos seus antepassados era mesmo da minha terra. Só falta saber se somos primas afastadas... :) Ah! E o apelido dela, que passou de geração em geração, afinal, veio de um antepassado cujo primeiro nome era esse.

E continuo sem investigar o ramo dos Sousas, que deu origem ao meu apelido... A ver se é desta!

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Apesar da ideia ser mesmo preencher o nosso livro da família, estas descobertas estão a ser avassaladoras. Sinto-me mais próxima destas gerações, comovida com algumas histórias, surpreendida com outras.

E tu? Já pensaste em descobrir o teu passado?

Se quiseres saber de onde vens, sugiro que pesquises neste site, que te permite aceder aos registos paroquiais portugueses até mais ou menos 1911 (registos de baptismo, óbitos e casamentos). Certamente descobrirás coisas interessantes.

Foto: jarmoluk
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Book Haul - Os livros do segundo semestre de 2018

Hoje falo de livros. A minha inspiração, a minha paixão. 

Como vem sendo habitual nos book haul's que já fiz, falo dos livros que de alguma forma fizeram parte da minha vida no 2.º semestre de 2018. Falo assim do que li, do que comprei e/ou me foi oferecido. 

Mas confesso que ao contrário do início do ano, em que estava a ler com algum método e isso me estava a fazer super-bem (lia um livro de cada vez e, em média, um por semana), tudo isso mudou. Após vários desequilíbrios na minha vida, voltei a ler vários livros em simultâneo. Em consequência, li menos. A sério, comecei várias coisas que não terminei e, ao invés de sentir só aquela felicidade que a leitura de traz, também senti frustração. Por isso, no próximo ano, quero voltar a ler como fiz no início deste ano. Um livro de cada vez, mas do início ao fim.

Eis a lista de livros deste semestre.

Livros sobre felicidade


✓ The Year of Living Danishly de Helen Russel (jornalista) - A jornalista britânica, correspondente do Guardian, passou a viver na Dinamarca rural. Intrigada com os altos níveis de felicidade dos dinamarqueses, apesar dos longos e escuros Invernos, decidiu descobrir qual era o seu segredo. Para isso, criou um "Projecto de Felicidade". Em cada mês dedicou-se a um tema, analisando assim vários aspectos da vida na Dinamarca: o hygge (como não podia deixar de ser), a educação das crianças, o trabalho e o lazer, o design, os altos impostos, a comida, as tradições...

✓ Eu Cultivo a Felicidade de Nicole Attali (psicóloga, psicoterapeuta e co-fundadora da Universidade Sigmund Freud de Viena) - Este é um livro pequenino (126 páginas), que nos apresenta um método para ser mais feliz. O objectivo deste é que nos libertemos de tudo o que nos impede de avançar e nos faz sofrer. Para isso indica-nos técnicas para superarmos os obstáculos da nossa vida e alcançarmos o bem-estar. Aborda temas como: a auto-estima, a ansiedade, a cólera, a culpa, a inveja, a falta de tempo, o perfeccionismo, a preocupação, o medo do risco, a solidão, a tristeza, as relações com os outros...

✓ O Cérebro Feliz de Dean Burnett (neurocientista, professor na Universidade de Cardiff e autor do blog "Brain Flapping") - O autor analisa a questão da felicidade a partir da investigação realizada pelas neurociências. Dessa forma tenta responder a questões como: De onde vem a felicidade? Porque precisamos tanto dela? Será possível alcançar a felicidade eterna? Existe alguma relação entre o desejo de sermos felizes e o nosso cérebro? O autor combina a investigação sobre a felicidade e o funcionamento do cérebro com entrevistas e contributos de diversas personalidades: especialistas em relações humanas, professores de psicologia, gurus e outros que se dedicam ao tema da felicidade.

✓ Felicidade - Uma Revolução na Economia de Bruno S. Frey (investigador do CREMA e professor de Economia da Universidade de Zurique) - O autor parte da ideia de que a investigação sobre a felicidade pode ser aplicada à economia e até mudá-la substancialmente - nomeadamente ao ter em conta o bem-estar e a satisfação com a vida. Coloca-nos a par da investigação sobre a felicidade, abordando temas como por ex.: como o rendimento, o desemprego e a desigualdade afectam a felicidade; a vida em democracia; o trabalho por conta própria e a satisfação com o trabalho; o trabalho voluntário; o casamento e felicidade; efeitos da televisão na felicidade; integração na teoria económica; a abordagem da satisfação com a vida; políticas de felicidade; a felicidade como revolução na economia.

Outros livros de Psicologia



✓ O Livro da Psicologia de Vários Autores (da área da Psicologia e Filosofia) - Este livro é uma espécie de «catálogo» das várias teorias da Psicologia... (sim, eu gosto destas coisas!). Fala das raízes da psicologia, passando pela psicologia cognitiva, psicologia do desenvolvimento (etc.), até às teorias mais recentes como a minha «querida» Psicologia Positiva. Fala dos vários autores por detrás das teorias e, inclusive, no fim do livro reúne uma série de biografias. Apesar de não ser muito aprofundado, é bem interessante para se ter uma ideia da evolução da psicologia até aos dias de hoje.

✓ Do Sofrimento à Felicidade de Rossana Appolloni (psicolinguista e psicóloga clínica) - Este livro, apesar de distinto do anterior, aborda igualmente a evolução da Psicologia (eu avisei que gosto disto!). São 17 capítulos que vão desde a «sabedoria antiga» até à Psicologia Positiva. Apesar de não ser um livro com as imagens e esquemas do anterior, aborda os assuntos de forma um pouco mais profunda. Vou destacar alguns dos seus sub-capítulos: as origens da Psicanálise e a Terapia da Fala, a liberdade e a autoridade, a pessoa antes da doença, a vida plena, o processo de mudança, a psicologia humanista e o autoconhecimento, o isolamento e a solidão, a psicoterapia de grupo, Viktor Frankl e a logoterapia, a questão da religião, as psicoterapias cognitivas, as perturbações emocionais, como conseguir uma vida satisfatória, as emoções positivas, a experiência de fluxo e a motivação intrínseca, o que é a felicidade...

✓ Gestão da Emoção de Augusto Cury (psiquiatra, psicoterapeuta e cientista) - Neste livro, o autor leva-nos a identificar o mau uso das emoções e o gasto desnecessário de energia que fazemos ao ruminar em perdas e mágoas, a sofrer pelo futuro, a preocuparmo-nos demasiado com a opinião alheia e a exigirmos demasiado dos outros e de nós mesmos. A ideia é que não esgotemos os recursos da nossa mente. Para isso, apresenta-nos uma série de estratégias para corrigir esses hábitos.

✓ As 10 Melhores Técnicas para Vencer a Ansiedade de Margaret Wenhrenberg (psicóloga clínica) - Neste livro a autora explica como o cérebro se torna ansioso e, ensina uma série de técnicas para gerir a ansiedade. Gosto particularmente, por ser um livro muito prático (estou farta daqueles que só se centram nos sintomas e depois as estratégias são muito superficiais - não é o caso deste livro!). A autora dividiu o livro em 4 partes: compreender o seu cérebro, gerir o corpo ansioso, gerir a mente ansiosa e gerir o comportamento ansioso. Inclui também uma lista de leitura e de recursos que recomenda.

✓ SOS Ansiedade de Enrique Rojas (psiquiatra, professor catedrático de Psiquiatria e Psicologia Médica na Universidade Complutense de Madrid e director do Instituto Español de Investigaciones Psiquiátricas) - Com este livro o autor ajuda-nos a: entender a ansiedade e a perceber se é dela que padecemos ou não; detectar as diferenças entre medo, pânico, fobias e ansiedade;  detectar os sinais de alerta, com foco nos menos óbvios; perceber quais são as terapias possíveis.

Livros de educação e parentalidade positiva


✓ Autoestima para Crianças e Jovens de Pedro Anjos (pediatra, pós-graduado em Psicologia Aplicada a Crianças e Jovens e doutorado em Terapia Familiar)  - Este livro começa por abordar a importância da autoestima na infância e adolescência, a sua origem e desenvolvimento, a sua influência na vida quotidiana e o que provoca o défice de autoestima. Indica-nos também como podemos avaliar a autoestima e propõe-nos uma série de estratégias para a fomentar, tais como: interpretar melhor a realidade, controlar a ansiedade, melhorar as capacidades sociais, melhorar a autoimagem, superar o sentimento de inferioridade, evoluir da timidez à autoestima.

✓ Famílias Felizes sem Segredos de Maria José Núncio (socióloga, professora universitária, mediadora e coach familiar) - Um livro que pretende ajudar-nos a aumentar a felicidade familiar, tendo em conta que não temos famílias perfeitas, mas sim famílias reais que enfrentam desafios no dia-a-dia. Para isso indica-nos uma série de estratégias baseadas no coaching familiar. Inclui testemunhos reais e aborda temas como os seguintes: como enfrentar pais ou sogros metediços; rotinas, rituais e regras para facilitar a vida; identidade familiar; comunicar em família; gestão do tempo; ser família sem deixar de ser casal; o prazer de ser família; etc.

✓ Filho, Presta Atenção da Ana Manta (psicóloga especialista em desenvolvimento infantil) - Num mundo com tanto excesso de estímulos, este livro é uma lufada de ar fresco, ajudando-nos trabalhar a concentração dos mais novos (porque, como diz a autora "a atenção também se treina"). Inclui explicações sobre a atenção e concentração, mas é um livro essencialmente prático. Inclui uma série de técnicas simples e divertidas (funcionam como jogos), que vão variando conforme a idade (desde os bebés até à adolescência). Sim, já experimentei algumas cá em casa.

Livros sobre gestão de tempo



✓ O Método Bullet Journal de Ryder Carrol (criador do método Bullet Journal) - Quero começar 2019, a ler este livro. Sou fã e uso este método há alguns anos, mas nada como aprender com o próprio criador. O Bullet Journal (ou Bujo) é um caderno diferente das agendas normais, pois tu próprio/a o adaptas às tuas necessidades. Serve para organizares a tua vida (anotares as tuas tarefas diárias, os teus objectivos, etc.), mas também como diário (de gratidão ou com outras anotações). O livro inclui também vários esquemas que exemplificam como podemos criar as diversas páginas do Bujo (ex.: índice, registo diário, registo mensal, etc.)

✓ Gestão de Tempo para Mulheres (muito) Ocupadas de Maria José Núncio (socióloga, professora universitária, mediadora e coach familiar) - Um livro que se nota que foi escrito por uma socióloga, pois analisa claramente as dificuldades, pelas quais as mulheres se sentem tão assoberbadas na nossa sociedade. Dá pistas para a raiz do problema e para ir mudando mentalidades. O livro não indica nenhum método específico, traz sim várias estratégias para gerir melhor o tempo em diversos domínios da vida: no trabalho, na organização e limpeza da casa, na preparação de refeições, no tempo em família e na criação de tempo para nós mesmas.

Livros sobre organização doméstica e sobrevivência



✓ Organize a Sua Casa de Paulina Draganja (economista, especialista em organização e arrumação, autora do blog "Förvaringsdrottningen" [A Rainha da Arrumação]) - Segundo a autora o acto de arrumar não transforma apenas um sítio, mas também a vida de quem o preenche. Nesse sentido, este livro apresenta um desafio com 52 projectos, um para cada semana do ano, para remodelar a casa (claro que podemos adaptar os projectos às nossas necessidades!). Como refere a autora: "Terá limpo e organizado, encontrado as melhores soluções de arrumação e criado rotinas sustentáveis a longo prazo para manter a organização da sua casa."

✓ Como Sobreviver a um Terramoto em Portugal de João Pedro George (mestre em sociologia e economia históricas e professor da Universidade Nova de Lisboa) - Um livro bem pequenino, mas super, super-útil! Fala do que poderá acontecer quando a terra voltar a tremer como em 1755 (com base num simulador de cenários sísmicos desenvolvido  pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil). Fala de coisas como: as zonas de maior risco, o tempo entre o terramoto e a chegada do tsunami (é assustador, mas em Sagres no Algarve, deve chegar em apenas 12 minutos!), o que ficará inundado, a qualidade antissísmica das construções (que também é de bradar aos céus!), a possibilidade de contaminação química e biológicas (devido às indústrias afectadas), etc. O cenário é triste, porque se tem apostado pouco na prevenção... Na última parte do livro, é indicado o que devemos fazer antes do terramoto (como preparar a casa, planear a emergência e fazer um kit de emergência), bem como durante o terramoto e o tsunami.

Livro sobre EQM (experiência de quase morte)



✓ Uma Prova do Céu de Eben Alexander (médico neurocirurgião e neuroendocrinologista, cientista e professor na Universidade de Harvard durante 15 anos) - O Dr. Eben contraiu uma espécie rara de meningite e esteve durante 7 dias em morte cerebral. Quando discutiam a hipótese de desligar as máquinas, contra todas as expectativas, o Dr. Eben acordou. Anteriormente cético, negara a existência de Deus e da vida depois da morte durante anos. Contudo, revelou que no período em que esteve em coma esteve um território inexplorado... o da vida após a morte. Conheceu inclusive uma irmã cuja existência desconhecia (isto porque o Dr. Eben é adoptado). Autor de mais de 200 artigos científicos, continua a investigar os segredos do cérebro, mas desta vez com a certeza da existência de vida após a morte.

Livros de História e Nostalgia



✓ A História Secreta do Vaticano de Javier Garcia Blanco (jornalista, formado em História da Arte) - Este é um dos livros que ando a ler de momento. Trata-se de uma análise de alguns factos menos positivos (polémicas, perversões e até crimes) que envolveram os papas da igreja católica desde o apóstolo Pedro até aos dias de hoje. Parece-me que só se foca nos aspectos mais obscuros, passando a ideia de que uma boa parte dos papas agiram mais como monarcas terrenos do que como líderes espirituais. O texto segue uma ordem cronológica e aborda temas como: o que aconteceu a Pedro?; existiu mesmo uma papisa Joana?; as cruzadas; a Inquisição; a dissolução da ordem dos templários; as lendas negras (Torquemada, Bórgia e Médici); a morte misteriosa de João Paulo I; o terceiro segredo de Fátima; lutas internas, golpes e a renúncia de Bento XVI; as profecias (de São Malaquias, Nostradamus, João XXIII...); Francisco, uma nova esperança?, etc.

✓ Os Portugueses de Barry Hatton (jornalista) - Gosto sempre de ler o que «os outros» pensam de nós - apesar deste autor, um jornalista inglês, viver em Portugal desde 1986 e ser casado com uma portuguesa. Fiquei francamente impressionada com a visão clara e realista (para o melhor e o pior) que ele tem dos portugueses. Por vezes fez-me sentir orgulhosa, outras irritada e ainda outras comovida. O livro fala da evolução histórica do país. De coisas como os descobrimentos, as relações com Espanha e Inglaterra, o terramoto de 1755, Salazar, a Revolução dos Cravos, a entrada na UE, etc. Mas tudo é descrito de modo peculiar, pois faz-nos sentir o que lemos - por ex. quando descreve a forma de estar dos portugueses, os seus feitos heróicos e os disparates, a comida boa e os maus governos, as coisas que exasperam qualquer um e a esperança nas novas gerações. Bem interessante!

✓ Os Grandes Mistérios da História do Canal História. - Aborda diversos temas que ainda hoje são um mistério, assim com as investigações que têm sido feitas para os desvendar. Fala de 30 mistérios, entre os quais destaco: os segredos do Stonehenge, Atlântida, o Santo Graal, El Dorado, Titanic, o Triângulo das Bermudas, Tutankhamon, o rei Artur, o assassínio de Robert Kennedy, os manuscritos do mar Morto, o Santo Sudário, o Código Da Vinci, etc. Sei que entretanto, foi publicado um segundo volume que aborda outros mistérios (inclusive o terceiro segredo de Fátima).

✓ D. Manuel II, O Último Rei de Portugal. A vida desconhecida no exílio de Ricardo Mateos Sáinz de Medrano (investigador da história e genealogia das famílias reais europeias, licenciado em Geografia, História, Tradução e Interpretação e Psicologia) - Uma biografia emocionante, que começa com a partida de D. Manuel para o exílio e termina com a história da sua esposa, após a sua morte. Um livro emocionante, em que se percebe o amor e sentido de dever que o último rei tinha por Portugal. A sua tentativa de procurar um propósito de vida, no meio de muitas tristezas e também (verdade seja dita) de algumas frivolidades. Um exemplo inspirador, de como dar a volta apesar das adversidades! Fiquei com muita pena deste rei, cuja forma de pensar talvez estivesse à frente do seu tempo e também por ter morrido tão jovem, de uma morte absolutamente evitável. O livro inclui ainda uma série de fotografias.

✓ Também tive um Pega Monstro. Uma viagem aos anos 90 de Diogo Faro (humorista) - Ok, eu fui uma miúda dos anos 90, pelo que ler este livro, provocou-me um verdadeiro ataque de nostalgia. Fala dos grandes acontecimentos (quase me senti regressar à Expo'98), dos brinquedos, daquilo que víamos nos ecrãs (sim, fui das que chorei a ver o Titanic... eu e a restante sala de cinema), das músicas, do estilo, dos desportos (que emoção quando a selecção portuguesa ganhou o mundial de júniores!), etc. O livro está escrito com algum humor, mas sou sincera, para uma fã da Caderneta de Cromos do Nuno Markl, este não é bem a mesma coisa... (nem tinha de ser, mas uma pessoa acaba por fazer comparações).

✓ Curiosidades da História de Portugal de Ana Margarida Oliveira (especialista em línguas e literaturas modernas) - Um livro muito divertido e cheio de curiosidades sobre a história de Portugal. Se clicares no link do livro, podes espreitar na secção recursos o seu índice (que ainda é extenso). De qualquer forma, podes encontrar resposta a questões como: quantos reis consumaram o casamento? como se curavam as doenças? (Jesus!... nem imaginas...), de que forma é que um surto de piolhos criou uma moda?, o que se comia na corte?, quais foram as leis mais absurdas? (a de determinar o que se podia comer e beber e em que quantidade, a mim, surpreendeu-me), quantos se fizeram passar por D. Sebastião?, quem inspirou a figura da República?, etc.

Livros sobre o futuro



✓ 21 Lições para o Séc. XXI de Yuval Noah Harari (historiador, investigador e professor de História do Mundo na Universidade Hebraica de Jerusalém) - O outro livro que ando ler. Fala dos desafios que o futuro nos apresenta. Aborda temas como os problemas que as democracias actuais enfrentam, as consequências da inteligência artificial no mundo do trabalho, a nossa liberdade, a equidade, a religião, a imigração, o terrorismo, a guerra, a educação, etc. Ainda não o li todo, mas parece-me que não fala de desafios ambientais (como é possível?). De qualquer modo, é uma leitura bem interessante!

Livros de receitas



✓ A Alimentação cura Tudo de Mehmet C. Oz (cirurgião cardiovascular, e até recentemente, director do Instituto Cardiovascular do Presbyterian Hospital da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, apresentador de TV) - Apesar de ainda não ter lido o livro, dei uma boa espreitadela. Tal como nas outras obras do autor, este escreve de forma intimista, como um médico amigo que está ali para nos ajudar. Relata a informação científica de forma clara e com algum humor. Aborda temas como: como é que a alimentação pode funcionar como remédio (e assim curar o corpo e dar energia) ou pelo contrário, criar o caos no organismo; 5 curas alimentares; como resistir aos desejos e às tentações; o poder emocional das refeições; como normalizar definitivamente o peso; como manter as artérias limpas e um coração forte; como curar o cansaço; como sentir-se melhor perante a dor; como prevenir o declínio cerebral; como sentir-se menos irritadiço e mal-humorado; a alimentação que favorece o sistema imunitário; uma ajuda para os problemas da pele e do cabelo; como melhorar as dificuldades digestivas; plano de 21 dias d'A Alimentação que Cura Tudo. Inclui bastantes receitas na parte final do livro. As fotos são lindíssimas e os esquemas são claros e elucidativos. Dá para perceber que estou ansiosa por lê-lo?

✓ Uma Viagem pela Cozinha Potuguesa (sem autor identificado) - Este livro foi inicialmente editado em Espanha. Gosto particularmente dele por reunir não só as nossas receitas mais tradicionais, mas também por falar da nossa história, da nossa cultura, do que existe de interessante para os turistas visitarem (e comerem!). As imagens do livro são deslumbrantes (espreita as 3 imagens na parte de baixo, na foto acima). Encontra-se dividido por regiões geográficas, mas também inclui sabores portugueses que influenciaram a gastronomia de outros países (ex.: feijoada à brasileira, polvo à São Tomé, frango indiano de Goa...). As receitas tipicamente portuguesas são muitas, mas destaco por ex.: açorda de marisco (na foto acima), francesinha, bacalhau à Zé do Pipo, cozido à minhota, caldeirada à moda de Peniche, sopa da pedra de Almeirim, açorda à Alentejana, guisado de polvo à moda de S. Miguel, pastéis de nata, etc.

Livros infanto-juvenis



Como já tem sido hábito, falo também de alguns livros da minha filha. Ela é uma fã do Harry Potter, pelo que me pediu livros dele. Só tem dois, mas considero-os particularmente especiais, pois contêm ilustrações que captam o encanto da própria história (as imagens à direita, na foto, são exemplo disso).

✓ Harry Potter e a Pedra Filosofal - Edição Ilustrada de J.K. Rowling e ilustração de Jim Kay - Este é o livro que dá início à série. A vida de Harry Potter muda para sempre no dia do seu décimo primeiro aniversário, quando o gigante Rubeus Hagrid lhe entrega uma carta e lhe traz notícias surpreendentes. Harry Potter não é um rapaz vulgar: é um feiticeiro! É entretanto admitido na escola de Howgarts, onde se formam os mais famosos feiticeiros do mundo e onde irá viver aventuras fascinantes.

✓ Harry Potter e a Câmara dos Segredos - Edição Ilustrada de J.K. Rowling e ilustração de Jim Kay - Os dias de Verão com os Dursleys (os únicos familiares vivos de Harry) estavam a tornar-se insuportáveis, pois eles sempre o desprezaram. Não havia maneira de voltar para a sua querida escola de feitiçaria!... Contudo, até esse regresso estava ameaçado, pois Dobby, um elfo doméstico, não cessava de o avisar de que algo terrível o aguardava em Hogwarts... Depois de ser salvo dos terríveis Dursleys por Ron Weasley, num carro voador, Harry passa o resto do verão na «Toca» (a casa dos Weasleys). A vida com esta família é tão rica em distrações mágicas que Harry logo esquece os avisos ansiosos de Dobby. Mas entretanto, num corredor escuro da escola, é encontrada uma sinistra mensagem escrita que parece confirmar as previsões de Dobby, de que coisas terríveis estão para acontecer…
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Espero que tenhas gostado desta lista. E tu, neste semestre leste algum livro que te marcou?
 
Fotos: Mafalda S.
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quinta-feira, 16 de junho de 2016

50 Factos sobre mim


Hoje vou escrever um post diferente, novamente para dar resposta a questões que me colocam por e-mail. Não sei bem porquê, mas são várias as pessoas que fazem perguntas mais direccionadas à minha vida pessoal e percurso de vida, do que propriamente aos temas do blog. Se bem que foi o meu percurso que fez com que começasse a escrever e, por sua vez, o blog tem sido uma influência benéfica na minha vida. Em tempos fizeram-me o desafio de responder à tag "50 factos sobre mim", pelo que vou aproveitar a deixa e falar então um pouco mais da minha pessoa. Mas 50 factos? Jesus, isso é muita coisa...

1 - Nasci quando os meus pais já tinham 39 e 40 anos. Isto porque tive uma irmã que viveu antes de mim, mas infelizmente faleceu atropelada e logo no dia de Natal. Foi um episódio muito triste na vida dos meus pais, e eu vim como que para lhes dar uma nova alegria, um raio de esperança nas suas vidas. A minha mãe contava-me que pedia a Deus que eu fosse em tudo parecida com a minha irmã (ela era muito boa menina), excepto numa característica física... gostava tanto de ter uma menina com caracóis... e não é que teve?!

2 - Vivi a minha infância numa aldeia, mas ainda com bastante habitantes (cerca de 3000 na altura) e a uns meros 7 km da cidade. Por isso nunca me senti verdadeiramente do campo, nem da cidade. Acho que aproveitei o melhor dos dois mundos.

3- Aprendi a ler e apaixonei-me pela leitura aos 3 anos. Acreditem que se me perguntassem se queria um livro ou uma boneca, eu escolhia o livro. As minhas leituras favoritas na altura eram as revistas do Pato Donald (Chiu! Não digam nada, mas ainda hoje gosto!).

4 - Os meus pais tinham uma horta, pelo que me fartei de brincar ao ar-livre. Tinha um baloiço de madeira. Fazia "bolos" e construções com terra e florzinhas. Andava de botas de borracha na ribeira. E comia fruta realmente docinha e biológica (nada a ver com a dos hipermercados). Por vezes chamávamos amigos e família e fazíamos verdadeiros piqueniques ao ar-livre. Era o máximo!

5 - Em criança também adorava ver desenhos animados (quem não gostava?). Os meus favoritos eram sem dúvida "A Ana dos Cabelos Ruivos" e a "Alice no País das Maravilhas". Também me deliciava com o programa "Clube Amigos Disney". Quanto a séries, adorava ver o MacGyver. Ao Domingo era dia de comer frango frito com batatas fritas e de assistir ao MacGyver.

6 - Tive uma bisavó que numa fase da sua vida, supostamente começou a ver fantasmas. Já as coisas estranhíssimas que aconteciam lá por casa, todos poderiam ver. Gavetas que se abriam sozinhas, objectos que eram mudados de lugar a meio da noite, a torneira que se abria sozinha para um balde mas que nunca se enchia com a dita água... Eram noites arrepiantes! Supostamente foi alguém que não cumpriu uma promessa, por isso chamava a atenção lá do outro lado. Depois de cumprida a promessa pela minha bisavó, nunca mais ela voltou a ver fantasmas, nem ocorreram episódios estranhos lá por casa. Isto foi-me contado, pois a minha bisavó faleceu quando eu tinha apenas 1 ano. Mas foi uma das histórias mais faladas da aldeia.

7 - Tive também um trisavô bastante polémico. Conta-se que alguém veio de fora para o matar, mas foi ele quem assassinou a outra pessoa. Pior, reza a lenda que ainda se sentou em cima do outro a beber um garrafão de vinho. O que é facto é que foi desterrado para uma colónia e nunca mais voltou a Portugal (pobre da esposa e dos seus filhos). Entretanto, os meus tios e pai só souberam dele porque foi anunciado na igreja que ele tinha tido um filho por lá, mas este não tinha deixado descendentes. Assim, tínhamos uma herança para receber (o trisavó tinha feito uma fortuna gigantesca por lá). Contudo, parece que os prazos legais tinham expirado e quem ficou com a dita fortuna foi o Estado...

8 - O meu animal de estimação era um gaio. Dizia "olá", ladrava, miava... De cada vez que me via começava a saltar e a abrir o bico, porque era viciado em pinhões (petisco que eu lhe dava com frequência). Mas hoje seria incapaz de ter um pássaro em casa. Acho muito triste vê-los numa gaiola... por maior que seja.

9 - Infelizmente passei parte da minha infância doente. Estive internada umas 9 vezes, quase todas por crises graves de bronquite asmática (exceptuando uma vez, quando apanhei brucelose e deixei de andar). Talvez por isso, hoje evite os hospitais a todo o custo. Também me fizeram todo o tipo de testes e de tratamentos. E aquilo só melhorou quase na adolescência... com fisioterapia (incrível!).

10 - Também na adolescência tive a minha quota-parte de tragédias. Assisti a todo o tormento que a minha mãe passou, com um terrível cancro. Faleceu quando eu tinha 13 anos e esse meu aniversário foi passado no hospital. Um ano depois, o meu avô que parecia estar bem de saúde, morreu mesmo à minha frente. Teve um enfarte. Tive de ser eu a dar a notícia a alguns dos seus filhos. Tudo isso e principalmente a falta que a minha mãe me fez, foi uma fase muito má. Senti-me muito em baixo e acabei com uma depressão.

11 - Escrevo diários desde os meus 8 anos (recentemente deixei de o fazer, por falta de tempo). Não imaginam como é bom reler sobre os momentos bons em que a minha mãe ainda estava comigo. Parece que vivo esses momentos outra vez. É realmente terapêutico!

12 - Sempre adorei música e cantar. Tive aulas de órgão/piano, participava num grupo Carnavalesco e passei a minha adolescência a cantar por aí - venci inclusive alguns concursos. Entretanto deixei-me disso, por falta de disponibilidade. Mas enquanto durou, foi óptimo.

13 - Apesar de hoje escrever sobre felicidade e optimismo, já fui bastante pessimista. A minha família no geral influenciou-me nesse aspecto, pois têm tendência para o pessimismo. Mas faço uma excepção à minha tia N. (o optimismo em pessoa) e à minha falecida avó materna (apesar dos problemas, encarava tudo com uma descontracção incrível). Quanto a mim, melhorei bastante graças a este blog.

14 - Sempre adorei Psicologia. Não optei por este curso, porque na altura havia muito desemprego na área. Ainda assim, consegui ter a melhor nota de toda a escola no exame nacional. Tive 18, o que foi bastante bom, para quem não teve tempo de estudar um capítulo do livro e teve de fazer um texto pormenorizado, justo sobre esse tema.

15 - Aprendi a cozinhar sozinha com a ajuda de revistas, livros de receitas e programas de TV (sim, sou uma fã do masterchef!). E a verdade é que me apaixonei pela cozinha. Ando sempre a inventar e a experimentar coisas novas. Por vezes faço umas asneiras, mas no geral corre bem.

16 - Também sou um bom garfo. Se há alguma comida diferente... lá estou eu (e o meu marido, que é igualzinho a mim) para experimentar. E apesar de adorar a culinária portuguesa, confesso que o meu prato favorito é «moqueca de peixe e camarão».

17 - Já escrevi  um livro relacionado com o meu trabalho. Adorei esse projecto! Quem sabe se um dia voltarei a escrever...

18 - Adoro fazer road trips por Portugal e pelo estrangeiro. Aliás, prefiro gastar dinheiro em viagens (e livros) do que noutros bens como roupas, gadgets, etc.

19 - Casei com o amor da minha vida no dia em que fiz 24 anos... a 24 de Julho do ano 2004.

20 - Ainda hoje guardo 3 jornais: o do meu dia de casamento e os dos dias do nascimento dos meus filhos.

21 - Se pudesse viveria à beira mar. O som, o cheiro e a vista do mar fazem-me realmente relaxar. Até acho a minha cidade quase perfeita... mas falta-lhe o mar.

22 - Comprei a minha casa pela vista que tinha. Definitivamente, uma paisagem bonita consegue fazer maravilhas, mesmo após um dia stressante.

23 - Não convivo muito bem com 2 tipos de pessoas. Pessoas arrogantes que acham que têm sempre razão e que pensam que já sabem tudo - por isso não precisam da opinião de ninguém e muito menos de aprender mais. O segundo grupo são as pessoas maldosas que não revelam qualquer empatia pelos outros, fazendo-lhes mal sem pensar nas consequências. Normalmente afasto-me deste tipo de pessoas, porque as emoções negativas que transmitem, quer queiramos quer não, acabam por nos afectar.

24 - Desde que me conheço, que (felizmente) não tenho o hábito de me comparar com os outros. Costumo ficar genuinamente satisfeita com as pessoas que conseguem alcançar os seus objectivos com o seu esforço ou quando têm uma vida feliz. Não sinto inveja, vejo antes estas pessoas como uma inspiração.

25 - O excesso de trabalho, a falta de objectivos e o facto de viver em constante correria, fizeram com que questionasse a forma de vida que estava a levar. Isto aconteceu durante a gravidez da minha filha. Cheguei a pedir a Deus para me indicar um caminho mais feliz. Foi justamente a partir daí que comecei a mudar muita coisa na minha vida. Este foi inclusive o pontapé de saída para a criação deste blog.

26 - Quando escrevo no blog, ao contrário de muita gente, não falo só dos meus sucessos mas também das minhas dificuldades. Não há vidas perfeitas e acredito que se tentasse mostrar isso, para além de ser mentira, iria deprimir quem passasse por aqui e começasse a pensar que a sua vida não é assim tão perfeita. Prefiro ser realista! Opto por falar das minhas dificuldades, do que vou fazendo para as superar e também de quando sou bem-sucedida. A ideia é mostrar a mim mesma e a quem me lê, que mesmo que surjam problemas no caminho, é possível recuperar e seguir em frente em direcção aos nossos sonhos.

27 - Apesar de escrever num blog, se reparem não sou pessoa de falar muito da minha vida privada. Falo em termos gerais de situações do meu dia-a-dia, sem mostrar fotos muito explícitas ou sem dar grandes detalhes. Não é por mal, simplesmente sou uma pessoa reservada. Por isso responder a esta tag, constituiu um verdadeiro desafio.

28 - Por vezes sou muito crítica comigo mesma. Ou porque o meu cabelo não me está a agradar, ou porque fiquei com alguma barriga após o segundo parto ou porque a casa está desarrumada... Preciso mesmo de melhorar neste aspecto.

29 - Outro dos meus defeitos, que no fundo está relacionado com o anterior, é a tendência para o perfeccionismo (uma característica que não abona nada a favor da felicidade). Quando dou por mim, lá estou eu a empenhar-me excessivamente nas arrumações, na cozinha, no trabalho... Tenho de descontrair mais, porque se perder menos tempo em pormenores, ganharei em momentos felizes.

30 - O meu único vício... são os livros. Não consigo resistir-lhes e como só compro livros que adoro, são das poucas excepções que se safam ao destralhe.

31 - Os livros não me proporcionam só horas de prazer, recorro a estes para melhorar a minha vida. Acredito por exemplo que hoje não estaria mais feliz, se não tivesse lido sobre estratégias para aumentar a felicidade. Não teria amortizado totalmente o empréstimo da casa, se não tivesse lido o livro "A Economia lá de Casa" de João Martins. E estes são só 2 exemplos... Uso os livros para aprender, mas também aplico na prática o que estes ensinam (desde que me pareça útil, claro).

32 - Tenho imensa dificuldade em acreditar em coisas que não tenham sido provadas pela ciência. Mesmo quando um livro aborda o tema «felicidade», dificilmente o leio se não tiver base cientifica.

33 - Apesar da necessidade de ter provas para tudo, há uma excepção: acredito e tenho fé em Deus. Não creio propriamente em religiões, mas em Deus sim.

34 - Algo que me faz muito feliz é a capacidade de ver beleza nas pequenas coisas. Assistir ao nascer do sol, sentir o cheiro a café, ouvir o som dos passarinhos... são coisas aparentemente simples que «fazem» o meu dia.

35 - Quando não posso sair e quero relaxar um pouco, basta-me ver imagens lindas na Net ou no meu computador, que fico logo mais zen. Sou uma apaixonada por fotografia e talvez seja por isso que a minha rede social favorita é o Instagram. (Já que falo de imagens lindas, espreita só dois dos perfis que sigo: o "Got to Love This" e o "Alberto Dros Photography").

36 - Não acredito que basta desejar muito uma coisa para ela acontecer. Penso que o desejo deve vir acompanhado de acções concretas, para que seja possível realizar os nossos sonhos. E essa é outra actividade que adoro: realizar tarefas diárias para alcançar os meus sonhos (já alcancei vários sonhos desta forma). A verdade é que a satisfação não vem só de alcançar a meta, o processo para lá chegar também pode ser bem divertido.

37 - Já fui muito desorganizada, mas hoje sou apaixonada por «organização». Gosto imenso de planear, elaborar esquemas e executar tarefas que facilitem a minha vida. Organizar-me é outra coisa que me diverte - como se de um jogo se tratasse.

38 - Adoro, mas adoro mesmo ser mãe! Para além do amor gigantesco pelos meus dois filhos, estou sempre empenhada na sua educação. Leio livros educativos, tento implementar ideias que me pareçam interessantes, organizo actividades em família... Só o que me entristece é que nem sempre tenho tempo para tudo. Gostava que os meus filhos pudessem ter uma vida mais calma, mas nem sempre consigo proporcionar-lhes isso.

39 - Sinto que ando sempre a correr. Tenho a minha agenda sempre preenchida e mesmo durante o dia estou sempre a chegar aos locais em cima da hora - isto, pelo excesso de tarefas. Algo que tenho mesmo de melhorar é a gestão do meu tempo (ah! É por isso que tenho tanta dificuldade para responder aos e-mails do blog e ultimamente escrevo poucos posts. Não é por má vontade, é mesmo por falta de tempo).

40 - Em compensação não sou pessoa de ficar de braços fechados à espera que algo milagroso aconteça. Estou sempre a pesquisar soluções e a tentar novas estratégias para resolver os meus problemas (incluindo os de falta de tempo). E é graças a essa postura, que a minha vida tem melhorado.

41 - Adoro ouvir música ou assistir a programas no youtube (sobre organização, desenvolvimento pessoal...) enquanto realizo as minhas tarefas domésticas. Já se estiver a escrever no blog, tem de ser em silêncio.

42 - Não assisto muita TV, mas quando o faço gosto igualmente de assistir a programas inspiradores: documentários na área da psicologia positiva, programas de culinária (ai, ai meu querido 24 Kitchen!), de viagens e decoração (gosto imenso do House Hunters Internaticional e outros programas de viagem no Travel Channel, gostava também do Portugueses pelo Mundo na RTP), de anti-tralha e organização (por ex. o Obsessive Compulsive Cleaners no TLC ou o Santa Ajuda na TV Globo), de história/genealogia (antigamente adorava assistir ao Who do you think you are?). Ou seja, gosto disto tudo, vejo é poucas vezes! Quanto a filmes gosto imenso de aventura (especialmente quando têm de ser desvendados enigmas ao longo do filme), thrillers e, não sei porquê, mesmo que um filme seja de qualidade duvidosa, não resisto aqueles de ficção científica sobre catástrofes naturais (que acabam em bem, claro)...

43 - Compro produtos de limpeza ecológicos, e opto por produtos de beleza não testados em animais. Quanto a comprar alimentos biológicos, lá tentar eu tento, mas nem sempre é possível (por falta de oferta na zona onde vivo).

44 - Tenho um fascínio pela vila de Sintra, o antigo «monte da Lua». A sério, aquele lugar parece meio mágico! Tem paisagens de cortar a respiração: floresta, serra e ainda se avista o mar. Toda a história por detrás daqueles palácios e todo o misticismo que a envolve, exercem em mim uma atracção que de tempos a tempos me «obrigam» a regressar.

45 - Para mim, um momento perfeito nas férias, é deitar-me numa espreguiçadeira rodeada de uma paisagem deslumbrante, a ler um bom livro. É super-relaxante!

46 - Tenho um fascínio inexplicável pelos sons da noite. Gosto de estar na minha cama quentinha a ouvir a chuva, ou até o vento, o som de uma mota a passar... Parece que à noite soam diferente e sinto-me bem por saber que estou no conforto dos meus lençóis.  Outras vezes, quando já todos dormem, coloco uns fones nos ouvidos e enquanto ouço as minhas músicas favoritas, sento-me a olhar para esta paisagem nocturna. É inexplicável como isto me faz bem.

47 - Tirando as caminhadas no meio da Natureza, nunca fui fã de exercício físico. Contudo, recentemente conheci o Yoga... e não é que sinto que me estou a apaixonar por esta prática? Deus queira que desta vez seja para valer!

48 - Gosto imenso de praticar meditação. Só tenho pena de não ter tempo para praticar todos os dias, pois vontade não me falta.

49 - Quem lê sobre felicidade, sabe que uma estratégia sugerida (recorrentemente) é escrever um «diário de gratidão». Já tentei, mas comigo parece não funcionar... Assim, prefiro jogar com a minha filha o «jogo das 3 coisas boas», cujo objectivo é dizer no mínimo 3 coisas que aconteceram de bom durante o dia. Ao deitar, lá estamos nós a praticar. Parece que assim terminamos o dia com um sorriso nos lábios.

50 - Sou mais feliz hoje em dia, do que quando comecei este blog. Por isso, aprender a ser feliz e escrever neste cantinho é algo que tem valido (muito!) a pena.

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E agora que já abri o livro da minha vida, convido-te a fazer o mesmo (mesmo que seja só em privado). A verdade é que este exercício serviu também de reflexão. Percebi que no fundo os principais obstáculos à minha felicidade são o perfeccionismo e a falta de tempo. Mas também percebi que ler e implementar as estratégias que aprendo, vale muito a pena. Por isso, há que intervir nos meus pontos fracos e continuar a investir nos pontos fortes.

E tu? Aceitas o desafio?

Foto: George Thomas
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