Ultimamente, quando estou a amamentar, costumo dar uma espreitadela na Internet do telemóvel. Abria o meu facebook e lá tinha uma lista gigantesca de más notícias veiculadas pelos jornais nacionais e não só. Tanto crime passional, tanta violência e agressividade à flor da pele, tanta falta de valores (como o respeito pela vida humana). Depois disto, para além de sentir uma crescente revolta, sentia-me pessimista praticamente todo o dia, com falta de esperança na humanidade. Se para além disto juntarmos as influências pessimistas de pessoas à nossa volta, estamos feitos.
A falta de equilíbrio entre boas e más notícias
Foi então que ponderei mais a sério sobre o assunto. Todas estas influências afectam o nosso estado de espírito. Percorri o facebook de um desses jornais e nem uma única boa notícia (era uma manhã particularmente cheia de crimes horrendos e acidentes de viação). E é esta a influência que muitas vezes recebemos dos meios de comunicação social. Divulgam em grande destaque o que acontece de mal (nota: se se passou, é óbvio que deve ser divulgado), contudo, parecem esquecer ou minimizar o que se passa de bom e nos dá esperança.
Entrei entretanto no site das Boas Notícias. Entre outras relata a história de uma criança de 8 anos que angariou 35.000 dólares para ajudar as vítimas do terramoto no Nepal, ou de um idoso que acabou de concluir a licenciatura aos 94 anos, ou de uma empresa que irá abrir 40 vagas de trabalho, ou que 75% dos jovens portugueses não fumam...
A questão é que deveria existir mais equilíbrio entre os diversos tipos de notícias e não omissão/minimização das boas notícias. Notícias más podem incitar-nos a agir e a reclamar por uma sociedade melhor, é certo. Mas em excesso, só contribuem para a falta de esperança e até para a inacção (do género: "Para quê fazer alguma coisa? Isto vai ser sempre assim..."). Já conhecer só as boas notícias, pode mascarar a realidade. Mas, ouvir preferencialmente boas notícias, nomeadamente histórias inspiradoras, coisas boas sobre o nosso país, informação útil que nos ajude no dia-a-dia, pode contribuir não só para a nossa evolução pessoal, mas também para nos dar esperança no futuro, para nos fazer perceber que a nossa acção importa para um mundo melhor.
Outras influências pessimistas
Mas se fosse só na Internet... recebemos influências de muitos lados: de programas televisivos, do discurso de colegas ou familiares, de livros e revistas... sendo as emoções contagiosas, às tantas nós próprios imergimos em pessimismo e desânimo.
Atitudes concretas para reduzir as influências negativas no dia-a-dia
Entretanto tomei atitudes concretas, para reduzir essas influências no meu dia-a-dia e que agora partilho:
- ao nível do facebook, apesar de manter o "gosto" nos jornais diários que seguia, seleccionei a opção "Não quero ver isto", de modo a que estas publicações não surjam constantemente no meu mural. Se eu as quiser ver, passo a consultar a página do próprio jornal;
- mantive-me amiga de pessoas demasiado pessimistas, mas também não vou receber mais mensagens suas no meu mural (não estou a ser má, só não quero ler constantemente coisas como: "Porque é que certas pessoas só contam com a sua esperteza? Os outros não são parvos."; "Já fui meiga e doce. Mas cheguei à conclusão que doçura demais só atrai formigas!"; "Falas mal de mim nas costas? Nem me apercebi. É sinal de que estou à tua frente". Levar com mensagens amarguradas a toda a hora, parece que só nos transmite energia negativa;
- passei a receber notificações de canais com notícias mais positivas (que raramente surgiam no meu mural), nomeadamente no Boas Notícias e do Good News Network entre outros;
- afastei-me cada vez mais de pessoas tóxicas e/ou castradoras (descobre um pouco mais sobre a sua influência neste post);
- estou mais atenta ao meu próprio discurso. Tento ser realista, mas sempre numa perspectiva de dar ânimo, de continuar a lutar por uma vida melhor;
- dou preferência à leitura de blogues que contribuem para o meu desenvolvimento pessoal, que me motivam a melhorar vários aspectos da minha vida e a contribuir para uma sociedade melhor;
- opto por livros que igualmente me ajudam a melhorar (não que não faça outras leituras, só que estas são essenciais).
Isto não significa que me estou a alhear da realidade (sigo por exemplo um blogue sobre casos de corrupção em Portugal e assisto a alguns noticiários). Tento sim que haja mais equilíbrio entre o que acontece de bom e de mau. Até porque a felicidade nos ajuda a encarar o futuro com esperança, mas o medo e o pessimismo são paralisantes. E o que quero é melhorar a mim mesma e dar um contributo à sociedade da qual faço parte.
Foto: Mark Wassel






