Hoje abordo a questão do estilo de vida, pois este pode ajudar-nos ou agravar a forma como lidamos com o stress.
O estilo de vida ideal para lidar com o stress
Sabes à conclusão a que chego? É o que o estilo de vida «ideal» para lidar com o stress, é benéfico para muita coisa. Para o nosso bem-estar físico, psicológico e até social. Por isso levar um estilo de vida mais saudável, irá trazer benefícios no geral.
Neste post, vou falar especificamente da alimentação, do exercício físico e do sono.
Dietas não favoráveis para lidar com o stress
O tipo de alimentação que fazemos tem um efeito profundo na forma como o stress nos afecta.
⇒ Uma dieta hipocalórica não orientada, quando não comemos em quantidade e qualidade, pode conduzir a estados emocionais de irritabilidade, fadiga e até depressão. Em consequência, o nosso humor torna-se mais negativo e temos dificuldade em fazer um coping eficaz.
⇒ Existe também um tipo de alimentação (muito frequente, infelizmente), que se designa por «dieta para o stress» (DPS). Esta inclui quantidades moderadas a altas de cafeína, comidas processadas (com farinhas refinadas e açúcar), gorduras hidrogenadas e sal. O problema deste tipo de alimentação é que reduz substâncias no organismos que nos ajudariam a lidar com o stress e provoca alterações ao nosso humor.
Não vou entrar em detalhes sobre cada um dos alimentos desta dieta, mas vou dar o exemplo do açúcar. Foi comprovado que este afecta directamente o nosso estado de espírito! O açúcar é vazio de valor nutritivo e para ser metabolizado, força o organismo a usar as suas reservas naturais de vitaminas, o que pode levar a défices vitamínicos (quando o consumo de açúcar é elevado), e, por sua vez, conduz a alterações de humor. A pessoa começa a sentir-se mais ansiosa, apática, deprimida... Se reparares é um ciclo vicioso. A pessoa sente-se stressada. Come mais doces para se acalmar. Só que... o resultado é ficar ainda mais stressada.
A alimentação ideal
A dieta que te pode ajudar quando tens de lidar com o stress, é a seguinte:
- faz uma alimentação equilibrada e variada, que inclua alimentos de todos os grupos alimentares (não te esqueças dos legumes, tantas vezes vistos como meros acompanhamentos);
- come em intervalos regulares, não superiores a 3h30min;
- bebe água com frequência (espreita a
fórmula para saberes a quantidade ideal para ti), tisanas ou sumos naturais (sempre sem gás e sem cafeína);
- limita o consumo de bebidas alcoólicas;
- evita a ingestão de cafeína (presente no café, Cola, chás com teína, chocolate, etc.);
- limita o uso de sal (podes reduzi-lo, adicionando ervas aromáticas às tuas refeições);
- limita a ingestão de gorduras.
A importância da actividade física
Imagina uma coisa. De repente descobrem um medicamento tão potente que altera os processos químicos do teu cérebro, tornando-te mais optimista, que te ajuda a tratar e a prevenir problemas psicológicos, que em doses moderadas tem poucos efeitos secundários e, que é tão barato que é acessível a todos. Surpresa! Esse medicamento existe... é o exercício físico!
A verdade é que se comprovou o seguinte, em relação ao exercício:
- as pessoas que o praticam têm menores níveis de ansiedade, depressão e tensão no dia-a-dia e melhores estados de humor, comparativamente a quem não se exercita;
- este tem um efeito protector face a doenças relacionadas com o stress (verificando-se mais este efeito protector, em pessoas expostas a um maior stress);
- a prática regular, não competitiva, ajuda o organismo a lidar com pressões súbitas (semelhante ao que ocorre com situações stressantes);
- o exercício aeróbico conduz gradualmente a mudanças psicológicas positivas. Ao permitir a libertação da tensão muscular, facilitar a digestão, melhorar a qualidade do sono e o controle de peso, torna mais fácil o relaxamento, a confiança em ti próprio/a e aumenta a própria auto-estima (claro que isto só é possível com a prática regular, ao longo do tempo).
Uma última nota, digamos que muita óbvia. Escolhe um exercício que se adeqúe ao teu estilo de vida e ao teu gosto pessoal. Faz toda a diferença!
O efeito protector do sono
O stress tem muito que se lhe diga neste campo, pois cerca de 90 % das insónias são causadas justamente por stress (eu que o diga, no passado tive muitas noites em branco...).
A verdade é que necessitamos de dormir as horas adequadas ao nosso relógio biológico (8h é só uma média). Quando dormimos o suficiente, funcionamos melhor e somos mais eficazes a reagir perante situações stressantes.
O problema é que quando não conseguimos ter um sono reparador, o corpo sentirá os efeitos da privação. Ficamos mais irritáveis, mais sensíveis a críticas, mais tensos emocionalmente, com menor capacidade para raciocinar e resolver problemas.
Assim, é realmente importante criar hábitos para dormir melhor. Em tempos escrevi
dois posts sobre o assunto, que podem ajudar-te. Podes consultá-los aqui:
-
Sugestões para um sono reparador;
-
Rotinas diárias para criar o hábito de dormir melhor.
Posso também indicar-te
dois livros sobre este tema:
- "
Receitas para Dormir Bem - Ideias Práticas para que Nada lhe tire o Sono" de Eduard Estivill e Mirta Averbuch;
- "
Bom Sono, Boa Vida" da Prof.ª Teresa Paiva (docente na Faculdade de Medicina de Lisboa, é considerada a maior especialista portuguesa em Medicina do Sono).
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No próximo post, o último desta série, falarei das técnicas propriamente ditas, para gestão do stress.
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"A Felicidade é o Caminho" também está aqui: